domingo, 18 de março de 2007

O advento de novas tecnologias na escrita e na leitura

Os dois textos baseiam-se na mesma idéia: a avanço das novas tecnologias e a passagem do texto escrito e impresso para texto eletrônico.
A Internet, por exemplo, está trazendo inúmeras possibilidades de pesquisa para professores e alunos, dentro e fora da sala de aula. A facilidade de, digitando duas ou três palavras nos serviços de busca, encontrar múltiplas respostas para qualquer tema é uma facilidade deslumbrante, impossível de ser imaginada há bem pouco tempo. Isso traz grandes vantagens e também alguns problemas.
As utilidades das novas tecnologias são inúmeras e sempre estão possibilitando novas facilidades que melhoram nosso trabalho, estudo e lazer. Portanto, nossos hábitos acabam mudando e, com eles, consequentemente, nossos comportamentos. A leitura é, de fato, uma atividade variável por essência, ela se constitui num conjunto de práticas e condições individuais e sociais: contextos, materiais, tipos de textos; tudo pode influir e variar as interpretações. Nos suportes virtuais, a leitura também se transforma e adquire novas estruturas, significados e ações, promovendo alterações nos modos de ler, descrever e analisar.
Esses suportes virtuais determinaram novas organizações textuais e novas configurações visuais de páginas e tendem a modificar a relação do leitor com o texto. Antes o corpo textual apresentava marcas, referências, notas de rodapé, títulos, etc; hoje, algumas permanecem, outras adquiriram mais expressão: movimento, imagens e sons. A nova concepção é chamada de hipertexto. Nele o leitor não respeita nem possui caminhos lineares de leitura, ele se submete a “linkagens”, ele intervém, modifica, reescreve o texto lido, se torna co-autor de novos textos.
Nesta mudança, o contato corporal do manuseio de folhas de jornais e livros é totalmente perdido, apresenta distanciamento no momento em que se vale de outros elementos (tela, mouse, teclado) para configurar e mudar de páginas. A sua leitura ainda é cansativa, talvez por que pretendemos, todavia, possuir uma visão geral do texto. A informação também deixa muito a desejar quanto a requisitos como: conteúdo (qualidade, veracidade e consistência), processos de transmissão (lentos, limitados, incompatíveis), durabilidade (variável - permanente armazenamento, perecível sustento), acesso (restrito, conhecimento necessário, equipamento atualizado), saturação (de informação = pouco tempo de reflexão -imediatismo-), interação cultural (marcada por barreiras de idioma, o próprio meio é universalizado em uma única língua, o inglês)...
Mas ainda há metas a serem alcançadas, o meio é jovem e potencializando suas vantagens: quantidade, diversificação, rapidez, comunicação e interação de ponto a ponto ou grupal a distância (mais barata que a convencional), amplificação de mensagens, translado físico desnecessário, etc; pode-se fazer da internet uma ferramenta de geração de novos conhecimentos. As iniciativas de converter a informação que transita virtualmente para encontrar novas soluções, desenvolver e melhorar produtos, serviços e encontrar novos métodos de trabalho, estão baseadas, por enquanto, em vontades individuais quase imperceptíveis e que não são realizadas freqüentemente.
Por este motivo, podemos dizer que não conhecemos nem as verdadeiras nem todas as possibilidades que a “Grande Rede” pode representar em nossas vidas. No entanto, mesmo com a globalização e a presença da internet, o livro vai continuar sendo, por muito tempo, o ponto crucial do nosso aprender. Seus formatos mudaram e o continuarão a fazer, mas o encontro com a imaginação que o livro proporciona é insubstituível sem dizer a sua versatilidade, fácil transporte e custo baixíssimo, sem fios nem restrições. A internet, como outras tecnologias, precisa se somar às antigas, pois, só desta forma, nenhuma terá o limite de vida útil decretado, apesar de sofrerem modificações.

Pergunta sobre o texto:

Quero destacar a seguinte passagem sobro o texto “O Numérico como sonho de Universal”: “Você adota um comportamento de compreensão, de dentro. Comportamentos de resistência nascerão também, visando ocupar os “nichos”. Quanto mais generalizada a revolução eletrônica for, mais surgirão comportamentos de diferenciação e de exceção. O vigor da bibliografia, insensível à revolução eletrônica, prova que o livro permanece uma entidade viva, já que ele passa de mão em mão e é colecionado.”

Procurei na minha resenha demonstrar o atual embate entre a cultura de cultivação das obras impressas e o advento das novas tecnologias, principalmente o uso da Internet. Analisando de modo geral a resenha dos colegas lanço a seguinte questão:

Será que o prazer da leitura que tínhamos quando líamos gibis, por exemplo, já não o encontramos nos dias atuais, devido à Internet?